Aumentar a competitividade para um maior crescimento económico

A economia portuguesa tem que ser mais competitiva para crescer mais. Para tal são necessárias estratégias empresarias e mais estímulos ao investimento, bem como condições para que as empresas portuguesas sejam mais produtivas, mais competitivas e mais exportadoras. Estas foram algumas das ideias partilhadas no Seminário “Crescimento da Economia Portuguesa – O deve e haver do Projeto Porter”, organizado pelo Forum para a Competitividade, que aconteceu no dia 13 de março, em Lisboa.

No encerramento deste espaço de debate, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, destacou “a necessidade de crescer mais, o imperativo da competitividade e o papel da iniciativa privada” no atual contexto económico. O Presidente da República apelou a metas mais ambiciosas para aumentar a produtividade e competitividade. “Orçamento após orçamento tenho indicado, no momento da promulgação, como continua insuficiente o incentivo ao investimento. Não se trata de uma questão doutrinária ou ideológica, trata-se de, mesmo no contexto de compreensível preocupação de rigor orçamental, dar sinais mais fortes para que a economia se torne mais produtiva e competitiva”, sublinhou o Presidente. Marcelo Rebelo de Sousa chamou ainda a atenção para o facto de cada vez mais os investidores privilegiarem questões como a estabilidade fiscal e o funcionamento rápido da justiça e penalizarem a imprevisibilidade fiscal e a ausência de acordos de regime para além das legislaturas. (Discurso integral do Sr. Presidente da República neste link)

Questões em que Portugal tem que evoluir, como foi claro ao longo de todo o debate que aconteceu neste seminário. Desde que o economista Michael Porter esteve em Portugal, em 1994, e fez uma análise da economia nacional, apontando caminhos e estratégias, a realidade mudou em vários aspetos, mas o “Relatório Porter” continua atual. Esta foi uma das ideias comuns a todos os oradores.

Pedro Ferraz da Costa, Presidente do Forum para a Competitividade, sublinhou a necessidade da economia nacional ser mais competitiva, o que deve ser conseguido através de estratégias empresariais apoiadas por políticas públicas adequadas a esse objetivo.“O país deverá reconhecer a importância dos objetivos de médio e longo prazo em termos da sua competitividade, evitando os erros do passado, e assegurar a sua compatibilização com objetivos macroeconómicos de curto prazo”, referiu o Presidente do Forum para a Competitividade.

A questão da dívida pública e as suas implicações na competitividade esteve em destaque ao longo de todo o debate. Enquanto em 1995 o rácio da divida pública em relação ao PIB era de 58%, em 2016 atingiu os 130%. “Esta evolução é desastrosa”, referiu Vítor Gonçalves, presidente do ADVANCE – Centro de Investigação Avançada de Gestão do ISEG. “Países com elevado endividamento e baixa competitividade estão numa situação complicada”, disse o professor do ISEG, sublinhando ainda que “a geração da riqueza continua a assentar na competitividade, que por sua vez assenta na inovação”. Por isso há necessidade de continuar o desenvolvimento dos clusters tradicionais apontados por Michael Porter, como aconteceu com o calçado de forma muito positiva, mas também há que apostar em novos clusters.

João Salgueiro, Presidente do Conselho Consultivo do Forum para a Competitividade considerou que Portugal tem perdido, nos últimos anos, oportunidades que não se repetem. E sublinhou o potencial que o país apresenta pela sua localização geopolítica: “Não somos um país periférico, pelo contrário, estamos entre a Europa e os Estados Unidos, as duas maiores áreas económicas do mundo, devemos tirar partido disso”.

O Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Forum e antigo Ministro da Indústria e Energia, Luis Mira Amaral, que foi o responsável pela presença de Michael Porter em Portugal na década de 90, falou sobre a necessidade imperativa de injetar conhecimento nas empresas. “Avançámos nos clusters tradicionais, mas falta evoluir noutros novos. Quando se diz que evoluímos bastante a nível da inovação, isso aplica-se, em certa medida, na inovação tecnológica, mas ainda não na inovação empresarial”, referiu o antigo ministro. As questões da inovação e da especialização foram, aliás, transversais a todas as intervenções neste seminário.

Pedro Braz Teixeira, Diretor do Gabinete de Estudos do Forum para a Competitividade, apontou a questão da dimensão das empresas, explicando que a economia portuguesa é duplamente penalizada – quer pelo grande número de empresas de pequena dimensão, quer pela baixa competitividade que apresentam. Pedro Braz Teixeira destacou que Portugal ainda apresenta muitos problemas no que diz respeito à formação e que deve reformular a forma de acesso ao ensino superior, bem como a formação dada pelo IEFP, que deve ser mais direcionada para as empresas.

O seminário sobre o Projeto Porter contou ainda com uma mesa redonda de debate onde participaram o advogado Adolfo Mesquita Nunes, antigo Secretário de Estado do Turismo, Célia Reis, CEO da Altran Portugal, o economista Daniel Bessa e Tomás Moreira, presidente da AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel.

Consulte e descarregue os documentos de trabalho apresentados no Seminário:

“O Projeto Porter – As razões para a sua realização; as transformações desejadas ao nível das empresas e das políticas públicas” – Luís Mira Amaral

“O Crescimento da Economia Portuguesa” – apresentação de Pedro Braz Teixeira, Diretor do Gabinete de Estudos do Forum para a Competitividade.

“A Competitividade da Economia Portuguesa 25 anos depois do Relatório Porter” – Vítor da Conceição Gonçalves, Joaquim Miranda Sarmento e Ricardo Rodrigues – ISEG.

Discurso de Encerramento do Seminário – Pedro Ferraz da Costa, Presidente do Forum para a Competitividade.